Infeções Respiratórias: os cuidados redobrados que todos deveremos ter este inverno

 em Infecções Respiratórias

Com a descida das temperaturas nos meses de inverno, temos uma maior exposição ao frio, que tem sido associada a um aumento da incidência e gravidade das infeções respiratórias. Evidências sugerem que à medida que a temperatura do nosso corpo desce após a exposição ao ar frio, diminui também a capacidade do sistema imunológico de combater os vírus que causam essas infeções do trato respiratório. Outra evidência é que nesta época as populações permanecem em ambientes fechados com maior regularidade, permitindo assim que haja uma maior probabilidade de contágio. Nos últimos anos, os hospitais no nosso país têm a máxima capacidade nos meses de inverno, com uma ocupação regular das camas superior a 95 %. Saiba como proteger-se neste inverno, de forma a conseguir adaptar-se à nova realidade em contacto com o novo vírus e ter os cuidados para mitigar os riscos.

 

Os desafios no próximo inverno: Porque devo ter cuidados redobrados?

Todos os anos, o vírus influenza provoca mais de três milhões de casos graves e 500 mil mortes em todo o mundo, o que torna a gripe uma doença perigosa para a população global. Ao não ser diagnosticada a tempo e tratada corretamente, a gripe pode desencadear complicações, como pneumonia e perturbações pulmonares. Apesar dos esforços de toda a população para a prevenção e controlo do surto de COVID-19 em hospitais e lares, a transmissão simultânea com o vírus da gripe é uma preocupação acrescida.

A presença da interação entre o vírus SRA-CoV-2 e outros vírus respiratórios sazonais ainda não foi testada. Este inverno é uma prova de fogo para toda a comunidade médica e população conseguirem obter informações importantes sobre a interação e o potencial da carga viral deste vírus nas infeções respiratórias recorrentes na estação do ano mais fria. Com este possível disparo acentuado na taxa de infeções respiratórias durante o inverno, poderá haver uma sobrecarga da capacidade dos testes de rastreio. Os métodos habituais de vigilância para a gripe poderão provocar indecisão no tratamento dos sintomas devido a estes serem semelhantes aos do SARS-CoV-2.

A ausência dos níveis de exposição a outros agentes patogénicos, à exposição solar, que leva a uma redução da Vitamina D no nosso metabolismo, afetam a imunidade. Estes fatores desempenham um papel importante na resposta e na resistência imunológica às infeções respiratórias.

Embora se saiba que a reabertura de escolas aumenta a transmissão da gripe, tal ainda não foi demonstrado para esta situação específica do vírus SRA-CoV-2. Existe uma incerteza em torno do provável impacto da reabertura das escolas e universidades e das implicações que isto terá para este Inverno. Há, assim, uma necessidade de vigilância intensiva à medida que as escolas reabrem para compreender e acompanhar a cadeia de transmissão do vírus. Contudo, as estatísticas indicam que as crianças desempenham um papel menor na transmissão desta infeção.

Será relevante monitorizar cuidadosamente as tendências em países do hemisfério sul, que entraram no inverno anteriormente a Portugal. No entanto, as comparações devem ser feitas cuidadosamente, uma vez que existem importantes fatores, tais como diferenças na contenção do primeiro surto/medidas de segurança e as distintas condições climáticas.

Estudos realizados na China e na Itália mostram que existe uma ligação entre as condições climáticas e a exposição à poluição atmosférica e a gravidade da infeção pelo vírus SRA-CoV-2. Uma maior exposição a este tipo de poluição está também ligada às baixas temperaturas, e o facto de passarmos mais tempo nas nossas casas contribui para agravar a asma. Sugere-se então a importância do controlo das infeções respiratórias para além das infeções cardíacas ligadas a estes poluentes nos casos mais problemáticos de COVID-19.

O tempo frio, húmido e ventoso não é convidativo a janelas abertas que criam correntes de ar frias. Contudo, é importante arejar a sua casa. Este é um dos aspetos apontados pelos especialistas como uma estratégia para aliviar a propagação do novo vírus, tendo em conta os resultados obtidos anteriormente para outro vírus do trato respiratório, H1N1.

É necessário que os idosos fiquem protegidos do frio. A maior taxa de internamento nesta faixa etária é justamente neste período do ano. Lembramos que devem respeitar as regras da higienização, o uso de máscaras e o distanciamento social em espaços fechados para evitar o contágio de doenças respiratórias virais nesta estação do ano.

Que medidas tomar para reforçar a prevenção das infeções respiratórias no próximo inverno?

É importante que a população tenha consciência de todos os desafios acima referidos para o próximo inverno. Devem manter-se algumas medidas para que não ocorra um novo surto e o país tenha que fechar as portas e quebrar as rotinas e práticas socioecónomicas.

  • Evite entrar e permanecer em locais fechados e com grande concentração de pessoas, onde se transmitem com maior probabilidade os vírus, em particular a gripe e o coronavírus. Opte por manter a sua casa com ventilação natural, ajudando a eliminar os possíveis agentes patogénicos das infeções respiratórias.
  • Siga as normas básicas de higienização: lave as mãos com frequência ou use toalhetes. Quando tossir ou espirrar, proteja a boca com um lenço de papel ou com o cotovelo. Não utilize as mãos. Use máscara e mantenha o distanciamento social nos espaços exteriores. Deite os lenços de papel e as máscaras descartáveis no lixo.
  • Evitar tocar nos olhos, no nariz ou na boca após o contacto com superfícies.
  • Evite sair de casa enquanto estiver em período de transmissão dos vírus (até 14 dias após o início dos sintomas).
  • Lave, seque e areje bem as roupas de inverno guardadas antes de serem utilizadas. Mantenha as roupas de cama, principalmente cobertores e edredões, limpos.
  • Escolha hábitos saudáveis. Na sua dieta deve preferir alimentos ricos em vitamina C, como o limão, a laranja e o abacaxi, para reforçar o seu sistema imunitário no combate às infeções e doenças características desta época do ano.
  • Adira à prática de atividade física regular e evite o tabaco e as bebidas alcoólicas.
  • É fundamental manter uma boa hidratação para a regulação do organismo e evitar doenças como as doenças associadas às vias respiratórias.
  • O plano de vacinação anual contra a gripe é essencial para os grupos de risco, diminuindo as complicações da infeção especialmente nesta era pós-COVID em que não existe ainda uma vacina disponível no mercado.
  • O chá e outras terapias coadjuvantes, como os suplementos alimentares, podem auxiliar no tratamento, mas não substituem as práticas recomendadas pela DGS de prevenção das infeções do trato respiratório.
  • Deve ter cuidado com as mudanças bruscas de temperatura. Escolha um vestuário ajustado à temperatura exterior, com especial atenção às extremidades do nosso corpo: as mãos, os pés e a cabeça. Escolha um calçado confortável e antiderrapante para prevenir quedas.
  • No interior da sua casa, mantenha-se agasalhado/a e confortável. Garanta um bom aquecimento da casa, mantendo a temperatura entre os 19 ºC-22 ºC.
  • Caso tenha de tomar medicação prescrita pelo seu médico para alguma determinada patologia, continue a cumprir as indicações recomendadas pelo especialista.

 

A dimensão e gravidade da epidemia de gripe no inverno de 2020/21 irá ser particularmente difícil de projetar. O aumento da propagação do novo coronavírus pode ocorrer como resultado do efeito direto do tempo na sobrevivência do vírus ou do efeito das condições climáticas sobre a resistência do hospedeiro à infeção respiratória. Deste modo, o primeiro passo é prevenir as doenças típicas do inverno, mitigar a propagação da COVID-19 e saber qual é o melhor tratamento. Proteja-se neste Inverno e aqueça a sua saúde!

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