Gripe?
Tudo o que precisa de saber!

A gripe é uma doença aguda provocada pelo vírus da influenza – assim batizada em homenagem aos astros que “influenciam” a ocorrência de epidemias – com grande potencial de transmissão e que afeta principalmente as vias respiratórias. Saiba tudo sobre esta patologia, que é normalmente benigna, mas que também pode ser fatal no caso das pessoas mais vulneráveis.

Os primeiros sinais da gripe surgem subitamente, entre 1 a 4 dias após a infeção pelo vírus– é o chamado período de incubação –, e a sua gravidade varia de acordo com a pessoa infetada.

Embora o vírus Influenza possa afetar qualquer um, as pessoas mais idosas ou com doenças crónicas são mais vulneráveis, apresentando sintomas mais graves e também uma maior mortalidade. Assim que o nosso sistema imunitário deteta o vírus da gripe, inicia um processo de defesa, que de um modo geral, resulta na sua eliminação em cerca de uma semana.
Muito se tem vindo a descobrir sobre esta doença desde os seus primeiros relatos que remontam à Antiguidade e que são atribuídas ao historiador grego Tucídides (460-395 a.C.). De facto, o contexto histórico da gripe é essencial para entender melhor esta patologia cuja atividade epidémica sazonal pode afetar até 15 % da população anualmente, e que está na origem de 500 mil óbitos por ano em todo o mundo.

Influenza em homenagem
aos astros

Embora a gripe seja uma doença referenciada desde a Antiguidade, existiam muitas especulações sobre as suas causas. Hipócrates, por exemplo, já mencionava uma epidemia no Norte da Grécia em 412 a.C. como sendo num contexto de gripe.
No século XVIII, os italianos batizaram a gripe como influenza, segundo alguns autores em homenagem à antiga crença que eram os astros a “influenciar” o surgimento de epidemias. Já outros associaram o seu nome à pressuposta “influência” do frio no seu aparecimento.

Por outro lado, calcula-se que a expressão “gripe” tenha sigo pela primeira vez utilizada em França durante a epidemia de 1742.
Curiosamente, só em 1943 os vírus da gripe puderam ser observados ao microscópio por serem partículas infimamente pequenas.

Três tipos de vírus, mas só dois
com impacto na saúde humana

Existem três tipos de vírus influenza – A, B e C. Contudo, apenas os A e B causam doença com impacto significativo na saúde humana. O primeiro tipo (A) foi descoberto pelos investigadores britânicos Wilson Smith, Andrewes e Laidlaw em 1933. Em 1940 foi identificado o tipo B e dez anos depois, o tipo C. Contudo, provou-se que este último tipo provoca infeções muito ligeiras.

O influenza A pode ser encontrado em várias espécies de animais, mas é essencialmente um vírus das aves que se adapta ocasionalmente aos humanos, podendo causar pandemias (ou seja, epidemias que se propagam ao mundo todo).
Já os vírus B e C infetam apenas humanos. O influenza B é responsável por surtos localizados em pequenas comunidades (por exemplo, em escolas). O tipo C causa uma gripe ligeira e está, por isso, menos estudado.

Em 2011, um novo tipo de vírus da gripe foi identificado. O vírus influenza D, o qual foi isolado nos Estados Unidos da América em suínos e em bovinos, não sendo conhecido por infetar ou causar a doença em humanos.

Vírus da gripe muda constantemente para conseguir “enganar” o sistema imunitário

Em termos estruturais, o vírus influenza é uma partícula esférica com um diâmetro interno de aproximadamente 110 nanómetros (nm) – unidade de medida 100 000 vezes menor que o milímetro – e um núcleo central de 70 nm.

A sua superfície é coberta por proteínas de aproximadamente 10 nm de comprimento com funções essenciais: a hemaglutinina (H) é a responsável pela entrada do vírus nas nossas células onde este se irá multiplicar; já a neuraminidase (N) permite a libertação dos novos vírus que irão à conquista de novas células.

Até ao momento são conhecidos 16 tipos diferentes de hemaglutinina (H1-H16) e 9 de neuraminidase (N1-N9). E é precisamente a sua combinação que define o subtipo de vírus da gripe expresso em determinado ano (por exemplo, H5N1 ou H1N1).

De facto, os vírus que provocam a gripe não se mantêm sempre iguais ao longo do tempo. Se assim fosse, o nosso sistema imunitário iria reconhecê-los e trataria de os combater imediatamente. Por outras palavras, os vírus deixariam de constituir um perigo porque nos tornávamos imunes a estes e nunca mais nos causariam qualquer doença. Mas, a verdade é que os vírus da gripe sofrem alterações genéticas – chamadas de mutações – gerando estirpes diferentes. Desta forma, o nosso sistema imunitário consegue ser “enganado”, pois deixa de os reconhecer e estes podem voltar a provocar-nos gripe.

Em resumo, quando somos infetados, o nosso organismo não volta a ser infetado pela mesma estirpe, adquirindo imunidade total. Já se formos infetados por um vírus parecido com um que nos tenha infetado no passado, a probabilidade de ficarmos doentes é menor, pois o sistema imunitário já tinha registado as suas características e, ao deparar-se com algum parecido, tenta de imediato combatê-lo. É a isto que os epidemiologistas chamam imunidade cruzada.

Não se pode prever o seu início,
mas não há inverno sem gripe

Em Portugal, à semelhança do que sucede no Hemisfério Norte, a atividade gripal acontece habitualmente nas semanas frias do ano (do começo do outono até ao início da primavera). Contudo, não é possível prever nem o seu começo preciso, nem a sua intensidade.

Sabemos que não há inverno sem gripe e que, com muita frequência, a atividade gripal pode assumir um comportamento epidémico. Isso acontece porque, como já explicado, todos os anos ocorrem pequenas modificações nos vírus da gripe (quer do tipo A quer do tipo B) condicionando a magnitude e intensidade da atividade gripal sazonal.

Como se transmite?

O vírus da gripe transmite-se por via aérea – por inalação de gotículas provenientes da tosse ou dos espirros de uma pessoa infetada ou pelo contato direto com as secreções nasais da pessoa infetada – sobretudo em espaços fechados muito frequentados.

O período de incubação do vírus, isto é, o período entre o momento em que a pessoa é infetada e o aparecimento dos primeiros sintomas, é vulgarmente, de 2 dias, mas pode variar entre 1 e 5 dias.

Já o período de contágio começa 1 a 2 dias antes do início dos sintomas aparecerem e vai até 7 dias depois. De salientar que nas crianças, este período pode ser maior.

Diagnóstico

Para o diagnóstico da gripe normalmente é suficiente uma avaliação médica. Mas podem ser necessários exames adicionais.

Os testes em amostras de secreções respiratórias podem ser usados para identificar o vírus da gripe e as análises ao sangue ajudar a determinar o grau de infeção. Estes são exames realizados principalmente em caso de sintomatologia extrema ou quando o médico suspeitar de outra causa.

Em caso de suspeita de pneumonia, é tirada uma radiografia do tórax e medidos os níveis de oxigénio.

Sintomas da gripe em adultos e crianças são diferentes

As manifestações clínicas ou sintomas da gripe são, sobretudo, no trato respiratório. De uma forma geral, existe uma evolução favorável para a cura em poucos dias – habitualmente até uma semana – mas isso vai depender de uma multiplicidade de fatores relacionados com a virulência do próprio vírus, outros com o estado imunitário dos doentes, ou com eventuais coinfecções, entre outros.

Nos adultos os sintomas são:
• Mal-estar e cansaço
• Febre alta
• Dores musculares e articulares
• Dores de cabeça
• Tosse seca
• Inflamação dos olhos Estes sintomas são semelhantes no caso de crianças mais velhas.

Nos bebés os sintomas são:
• Febre • Sonolência
• Náuseas
• Vómitos
• Diarreia
• Dificuldades respiratórias
• Otites

Já nas crianças os sintomas dependem da idade.

Aprender a diferenciar a gripe de uma constipação

Desde logo, a gripe é causada pelos vírus influenza enquanto que as constipações são causadas por outros vírus como, por exemplo, os rinovírus.

Além disso, ao contrário da gripe, os sintomas da constipação são limitados às vias respiratórias superiores: nariz entupido, espirros, olhos húmidos, irritação da garganta e dor de cabeça.
Na constipação, raramente ocorre febre alta ou dores no corpo. Por fim, os sintomas e sinais da constipação surgem de forma gradual, enquanto que na gripe o início é súbito.

E quanto à infeção por Covid-19, como podemos distingui-la da gripe?

Ao contrário da constipação, é mais difícil estabelecer diferenças entre o novo coronavírus SARS-CoV-2 (que provoca a infeção COVID-19) e os vírus que provocam gripe, pois embora sejam vírus diferentes, os seus efeitos são semelhantes. Ambos causam doenças respiratórias, que podem ser assintomáticas ou leves, mas também podem evoluir para casos graves e mesmo morte. Além disso, ambos são transmitidos através do contato ou gotículas.

Relativamente aos sintomas, em termos gerais, é de salientar que a febre, a tosse e a dor de garganta são sintomas comuns à COVID-19 e à gripe. Contudo, sabe-se que os doentes com COVID-19 não espirram e raramente têm muco ou o nariz entupido ou diarreia, ao contrário do que pode acontecer em caso de infeção pelo vírus influenza. Também de destacar que a gripe não provoca falta de ar, podendo esta estar presente no caso da infeção por COVID-19.

Desta forma, e para prevenir ambas as infeções, devem ser tomadas as mesmas medidas de saúde pública, como a higiene das mãos e a etiqueta respiratória (cobrir boca com cotovelo fletido ou lenço descartável ao espirrar e tossir).

O que devo fazer se estiver com gripe?

Em caso de gripe, a Direção-Geral da Saúde aconselha a tomar as seguintes medidas:

  • Ficar em casa em repouso;
  • Não se agasalhar demasiado;
  • Medir a temperatura ao longo do dia;
  • Se tiver febre pode tomar paracetamol (mesmo as crianças);
  • Em situação alguma deve dar ácido acetilsalicílico (aspirina) às crianças;
  • Se estiver grávida ou a amamentar não tome medicamentos sem falar com o seu médico;
  • Utilizar soro fisiológico para tratar a congestão nasal;
  • Não tomar antibióticos sem recomendação médica, uma vez que não atuam nas infeções virais, não melhoram os sintomas nem aceleram a cura;
  • Beber muitos líquidos (água e sumos de fruta);
  • Se viver sozinho, especialmente se tiver limitações de mobilidade ou estiver doente; deve pedir a alguém que lhe telefone regularmente para saber como está;
  • Se tiver dúvidas ligue para o seu médico ou para a linha SNS24 808 24 24 24.

Complicações da gripe

Geralmente a gripe não é uma doença muito grave. Contudo, pode provocar complicações.

A complicação mais comum da gripe é a pneumonia, que acontece quando o vírus se dissemina para os pulmões. Neste caso é normal os doentes apresentarem um agravamento da tosse, febre persistente ou recorrente e, às vezes, expetoração com sangue ou pus. Pode também acontecer falta de ar.

De salientar que as pessoas com elevado risco de complicações e morte incluem:

  • Crianças com menos de cinco anos de idade, sendo que as que têm menos de dois anos apresentam um risco particularmente elevado;
  • Adultos com mais de 65 anos de idade;
  • Pessoas com doenças crónicas (principalmente os que afetam o coração, os pulmões, os rins, o fígado ou o sistema imune) ou diabetes;
  • Pessoas com obesidade extrema (índice de massa corporal [IMC] de 40 ou mais);
  • Mulheres no segundo ou terceiro trimestre de gravidez e até duas semanas após o parto.

Como evitar a gripe?

A gripe pode ser evitada através da toma anual da vacina contra a gripe. Contudo, convém lembrar que todos os anos essa vacina deve ser renovada, pois a estirpe viral em curso pode ser outra. Também se deve evitar o contacto com pessoas infetadas. Existem igualmente, outras medidas de prevenção genéricas, nomeadamente:

  • Proteger-se do frio
  • Reduzir, na medida do possível, o contacto com outras pessoas
  • Lavar frequentemente as mãos com água e sabão (caso não seja possível, utilizar toalhetes)
  • Usar lenços de papel de utilização única (descartar nos sanitários ou no lixo comum)
  • Ao espirrar ou tossir, proteger a boca com um lenço de papel ou com o antebraço (não utilizar as mãos).

As maiores pandemias
de gripe da história

Houve momentos na história – principalmente antes do surgimento da vacina – em que o vírus influenza provocou estragos especialmente fortes e mesmo milhões de mortes. Estas foram as piores pandemias de que há registo:

Gripe russa (1889-1890)
Subtipo do vírus: H2N2
Número de mortos: até 1,5 milhão de mortos
Gripe espanhola (1918-1919)
Subtipo do vírus: H1N1
Número de mortos: até 100 milhões
Gripe asiática (1957-1958)
Subtipo do vírus: H2N2
Número de mortos: até 2 milhões
Gripe de Hong Kong (1968-1969)
Subtipo do vírus: H3N2
Número de mortes: até 3 milhões de mortos
Gripe suína (2009-2010)
Subtipo do vírus: H1N1
Número de mortos: 17 mil
Gripe aviária (em 1997 e em 2004)
Subtipo do vírus: H5N1
Número de mortes: cerca de 300 pessoas.

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Esta informação não dispensa a consulta com o seu médico. Não tome medicamentos que não lhe tenham sido prescritos pelo seu médico para o tratamento das infeções respiratórias. Um medicamento que resultou num seu conhecido pode não ser adequado para tratar o seu problema. Caso esteja em tratamento, não o interrompa sem falar primeiro com o seu médico, mesmo em situações em que desapareceram as queixas e os sintomas. PT-NA-2000011

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